Filho de ditador flagrado com US$ 1,5 milhão pretendia vir a Brasília

O vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mangue, deixou o Brasil na madrugada deste domingo (16/9), depois de a Polícia Federal ter apreendido cerca de US$ 1,5 milhão em espécie e uma grande quantidade de relógios de luxo no Aeroporto de Viracopos, na sexta-feira. Teodorín, como é conhecido, é filho de Teodoro Obiang Nguema, ditador da Guiné Equatorial, no poder há 39 anos.

Segundo seu secretário particular, Lemenio Akuben, Teodorin retornou ao país natal sem maiores problemas, mas os bens seguem apreendidos. O diplomata pediu a devolução do dinheiro e das joias e disse que o vice-presidente estava sob proteção da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas e não poderia ter sido alvo de inspeções alfandegárias comuns.

Em entrevista à Agência Estado, o diplomata disse que parte do dinheiro apreendido seria usado em despesas médicas em Brasília. “O vice-presidente se encontra mal de saúde e necessita de tratamento médico. Ele viria a Brasília para um atendimento médico e depois iria para Cingapura em missão oficial”, disse o secretário, sem especificar qual enfermidade afeta o filho do ditador. “O dinheiro apreendido pertence ao Tesouro nacional e seria usado em outras viagens que o vice-presidente faria depois de passar pelo Brasil. Já o relógios são todos usados”

Akuben afirmou ainda que as visitas de Teodorin ao Brasil são frequentes. “O vice-presidente ama o Brasil e vem para cá com frequência para reforçar laços que nos unem. Quero pedir ao governo brasileiro que respeite as regras internacionais da Convenção de Viena para que essas coisas sejam devolvidas.”

Segundo relato do governo brasileiro, o avião de Teodorín aterrissou em Campinas por volta de 9h45. Por causa das prerrogativas do cargo, o vice-presidente não foi submetido a vistoria. No entanto, sua equipe foi fiscalizada, o que levou à apreensão dos bens.

Pelas normas da Receita, só é permitido entrar com até R$ 10 mil em espécie no País. E, ainda assim, se a origem do dinheiro não for justificada, ele pode ser apreendido. No caso dos relógios e joias, a quantidade levantou suspeitas de que pudessem ser destinados à comercialização. Nesse caso, não poderiam ingressar como bagagem.

Na entrevista, o diplomata disse que houve suspeita de que drogas estariam no avião. Pensavam que havia droga no avião. Mas não havia sequer indícios. Graças a Deus, porque o vice-presidente não usa droga. São informações falsas que o Ocidente fala, mas ele não usa nada disso.

Fonte: Correio Braziliense

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