Reggae e Política: Confira a entrevista com o candidato a deputado estadual Fauzi Beydoun

Talvez algumas pessoas ainda não saibam, mas o vocalista, compositor e guitarrista da banda Tribo de Jah, muito famoso não só no Brasil como pelo mundo afora, Fauzi Beydoun, é candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão nestas eleições. Filiado ao Rede Sustentabilidade (partido da candidata a presidência Marina Silva), o paulista filho de italianos com libaneses, que já morou um tempo na Costa do Marfim (África), é um dos postulantes a uma das 42 vagas da Assembleia. Com uma campanha sem recursos, Fauzi Beydoun se “pega” na sua própria trajetória de vida para angariar o apoio e votos dos maranhenses. 

 

Abaixo, confira os principais pontos da entrevista que fiz com o candidato a deputado estadual, Fauzi Beydoun:

  • Com mais de 20 anos de carreira cantando na banda Tribo de Jah, famoso dentro e fora do Brasil, já com uma vida estabilizada, digamos assim, o senhor decidiu entrar para a vida política agora, quando enfrentamos a pior crise dos últimos anos. Por quê ?

Realmente, a banda tem o nome consolidado no Brasil e é a principal referência do reggae brasileiro no exterior, mas na verdade, sempre pensei em fazer política. Estudei Ciências Sociais na USP em São Paulo, não concluí o curso, mas, como músico, sempre mantive esse engajamento com o trabalho da Tribo de Jah compondo músicas politizadas. Entrar para a política agora aconteceu especialmente por ter recebido o convite para participar da Rede Sustentabilidade como candidato pela própria Marina Silva, e, modéstia à parte, porque creio que tenho princípios, conhecimento, propostas viáveis e, se nós não acreditarmos que a política tem que ser mudada, ou seja, que somos nós mesmos, os brasileiros comuns que devemos fazer isso, ninguém vai fazer por nós. É triste ver um Estado como o Maranhão, com tantas riquezas, ser um fracasso como estamos vendo há tantos anos. Eu me considero um patriota, abnegado, altruísta e tenho o desejo de servir ao povo, embora muitas vezes o próprio povo seja muito inculto, e se venda por qualquer coisa na hora da eleição, mas eu acho que alguém tem que acreditar que seja possível mudar essa realidade.

  • O senhor já declarou publicamente  em entrevistas, que defende a legalização das drogas. Já tem alguma proposta nesse sentido para apresentar na Assembleia, caso conquiste uma das 42 vagas?

A legalização das drogas está mais na esfera federal, por isso não haveria porquê ter um projeto pronto nesse sentido, mas tenho uma opinião formada. Não é a liberação da droga o problema, e sim a desinformação. Veja o caso do cigarro, que é uma droga lícita, por mais que as pessoas ainda fumem hoje em dia, caiu muito o número de fumantes devido a propaganda antitabagismo. Ninguém deixa de fumar maconha ou cheirar cocaína porque é proibido. Quem quer sempre encontra. Não é uma profissão nobre vender droga, mas para quem quer fazer isso, que o governo possa administrar e tributar, sempre com uma publicidade direcionada a esclarecer que o consumo é nocivo. Da forma que está, o Estado perde com isso, e nós vemos o consumo das drogas aumentarem. Eu já fumei maconha, foi a única droga que usei, mas não uso mais e recomendo que, quem quer ter uma vida saudável, não fume, não beba, não consuma droga. Precisa haver uma posição menos hipócrita e mais esclarecida sobre o assunto. 

 

  • O senhor é o porta-voz da Rede Sustentabilidade no Maranhão. Como foi sua entrada no Partido? Diante de tantas outras siglas, por quê a Rede ? É amigo da Marina Silva?

Marina Silva sempre foi minha candidata. Sou grande admirador da sua história e todo o seu trabalho político, e tenho afinidades com muitas pessoas que militam no partido e que me fizeram o convite para participar da Rede. Vi a questão com muita simpatia, e apesar de inesperada, acabei me tornando o porta-voz (como se fosse o presidente) da Rede aqui no Maranhão. Eu não estava almejando o cargo e nem tinha pretensões de ser dirigente partidário, mas acabei aceitando até pela falta de alguém que pudesse desempenhar esse papel aqui, e fui apoiado pela Rede nacional. Como no momento o partido ainda é muito pequeno no Estado, está em formação, acabei ficando em uma situação onde não podia “negar fogo” e por isso me tornei candidato também. Mas estou no partido por convicção, gosto do partido pela proposta de uma nova política, diferenciada, limpa, devotada, com o intuito de cumprir o dever cívico de fazer um trabalho em benefício do país e do povo. É claro que todo o projeto que envolve pessoas, o material humano, pode haver deficiências, falhas, e por isso não posso dizer que o partido é perfeito em tudo o que faz, mas a ideia é que a Rede faça a diferença com dignidade e propriedade. E sim, sou amigo da Marina.

 

  •  Como anda sua campanha ? Qual o mote principal dela ? Em relação aos apoios, tem recebido muitos?

Nossa campanha é muito complicada porque nosso partido não tem recursos, não temos fundo partidário, já que o que temos mal dá para cobrir a campanha da nossa candidata a presidente, por isso há uma dificuldade estrutural enorme para implementá-la, mas estou ciente que tenho um grande capital político aqui no Maranhão, pois quando andamos pelas ruas vejo a aceitação das pessoas em relação ao meu nome, tenho muitos amigos e admiradores do trabalho da Tribo de Jah, e não só pela Tribo, mas eu trabalho com reggae a anos, fazendo programas de rádio e como dono de radiola, e com isso me tornei uma pessoa querida. A dificuldade é fazer as pessoas saberem que eu sou candidato. Mas apesar das dificuldades, estamos tentando fazer uma campanha eficaz. O mote da campanha é ser a voz daqueles que não tem voz, das pessoas que realmente são deixadas à margem da dignidade e de uma condição de vida mais saudável e feliz. 

 

  • Mesmo em campanha eleitoral, o senhor continua cantando aí pelo Brasil afora. Como está conseguindo conciliar a agenda de shows com a agenda de campanha política? 

Não é fácil conciliar. Adiamos alguns shows e declinamos algumas propostas que seriam uma possibilidade de turnê para o mês de setembro, mas os compromissos que já estavam acertados para o começo do mês, como os shows em São Paulo e Rio de Janeiro por exemplo, não tenho alternativa, terei que fazer.

 

  • Na disputa para o Governo estadual, o senhor está apoiando algum candidato?

O partido está alinhado com o senador Roberto Rocha, porque na verdade ficamos quase que sem alternativas para uma composição. Então essa foi a melhor, na verdade única coligação que poderíamos ter para os nossos candidatos a deputado federal, no caso, a Rede, o Podemos, o Democrata Cristão e o PSDB. Para os nossos candidatos a deputado estadual, a composição é só com os três primeiros partidos, não envolve o PSDB.

  • Por quê o senhor acha que merece uma vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão ? 

É aquela história… é muito fácil fazer um juízo em benefício próprio, mas como falei, me considero uma pessoa muito bem informada, com bom conhecimento da geopolítica global, até, por assim dizer, mais do que muitos políticos por aí, deputados, senadores, até pelo fato de viajar muito, falar vários idiomas, por ter morado alguns anos na África, ter acesso a várias realidades de diferentes países, então eu me sinto absolutamente preparado. Tenho o desejo muito grande de fazer algo consistente, principalmente nesses nichos, nos guetos onde eu atuava como dono de radiola, como por exemplo, usar os espaços ociosos dos clubes de reggae para fazer um trabalho de inclusão social, com aulas de inglês, informática e etc., e não só isso, também tenho projetos na área da agricultura familiar e as Escolas Agrícolas Modelo em cada município, que não só tirariam gente desempregada e pessoas em situação de risco do ócio, como incentivaria a produção diversificada para o mercado e escoaria a produção para as escolas públicas, fornecendo aos nossos jovens e crianças uma alimentação orgânica, saudável e nutritiva que as permitiriam ter um melhor aproveitamento cognitivo. São projetos muito baratos, extremamente viáveis, que não entendo como não pensaram nisso antes.  Quero servir ao povo mais carente, das periferias, favelas e palafitas, estar presente realmente com projetos e emendas que visem resgatar a cidadania e a inclusão social desses cidadãos que definitivamente não têm acesso a essa tal cidadania. Credenciar os cuidados e lavadores de carros para ter acesso ao bolsa família e assistência social.

E não posso esquecer de trabalhar para colocar o Maranhão no século 21 através de projetos estruturantes, a partir da criação do Conselho de Governo Metropolitano, que vai reunir as administrações dos municípios da Ilha, Bacabeira, Rosário e Santa Rita, para viabilizar a implementação do VLT que ligaria a Ilha a Rosário, integrando esse sistema metroviário ao transporte rodoviário e fluvial. Transferir o distrito industrial para Bacabeira, criando o plano de expansão urbana para essa região, desafogando a capital. Criar uma nova rodovia federal que ligue Belém a Fortaleza passando Cajapió, Ilha do Caranguejo (vigada nas áreas mais secas), Bacabeira e Barreirinhas. Instituir um Laboratório Ambiental para pesquisa e preservação das ilhas. Além de propostas estruturantes e de exploração turística para o centro e o sul do Estado, entre outras…

2 Resposta para Reggae e Política: Confira a entrevista com o candidato a deputado estadual Fauzi Beydoun

  1. Aloísio Moraes diz:

    Fauzi é um grande homem! Sou fã e acredito no seu discurso, que é de longa data. Tem meu voto e apoio!

  2. Alexandre Moreira diz:

    Gosto muito do trabalho dele dentro da reggae music e espero que ele possa conquistar mais essa vitoria na vida política. Jah Bless!

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