Exclusivo: "Farei uma oposição responsável ao Governo Flávio Dino", diz Aluísio Mendes

O blog da Cristiana França inicia hoje uma série de entrevistas com os candidatos eleitos nestas eleições. Serão entrevistas exclusivas com os vitoriosos deste ano, onde nossos leitores poderão conhecer mais do histórico de cada um, o que fazem hoje e o que farão quando assumirem seus cargos. O nosso primeiro entrevistado é Aluísio Mendes, policial federal, ex secretário estadual de segurança pública do Maranhão e deputado federal eleito pelo PSDC.

Durante a entrevista, Aluísio disse que sua gestão viveu uma politização do tema segurança por parte da imprensa, e criticou a Comunicação do Estado, que não se interessou em divulgar o que realmente estava sendo feito na secretaria. O deputado eleito também elogiou a escolha do delegado Jefferson Portela para o comando da SSP/MA e desejou sorte ao futuro secretário.

Sobre sua eleição vitoriosa, o deputado foi enfáticoAcredito que a população entendeu que houve uma evolução, e uma prova clara disso é que fui votado em 188 municípios, uma demonstração clara que parte da população sabe que foi feito um bom trabalho, mesmo com as dificuldades”.

Confira abaixo os principais pontos da entrevista concedida ao blog.

– Você assumiu o comando da SSP/MA em 2010, e já em 2011, dados apontam um aumento de 17,4% de homicídios. O senhor também enfrentou vários ataques a ônibus e disputa entre facções. Resumindo: Entre 2010 e 2014, período em que o senhor ficou a frente da SPP/MA, foram muitos tiros, porradas e bombas, literalmente. Diante disso, como o senhor avalia sua gestão a frente da SSP/MA??

Eu avalio como muito positiva, pois quem conhece o histórico da secretaria, e quem acompanhou o início e o final da minha gestão, percebe que houve uma grande evolução, principalmente no reaparelhamento e no crescimento tecnológico da estrutura da secretaria. Hoje temos um sistema de inteligência mais efetivo do Nordeste brasileiro e o terceiro mais efetivo do Brasil. Na minha gestão, foram entregues mais de 2.500 viaturas pro sistema de segurança pública. Tivemos também o maior concurso da história da segurança pública do Estado, com 2.400 vagas. Acontece que houve uma politização do tema no nosso Estado, que é muito preocupante e perigoso, acompanhado de um aumento da violência que se deu em todo o Brasil. Eu encontrei a SSP/MA com a pior relação efetivo/habitante/policial do Brasil, e muito longe do penúltimo colocado.

– Qual foi o seu principal feito no comando da SSP/MA, o qual você tem orgulho em ter participado?

O Maranhão deixou de ser manchete nacional na questão dos assaltos a banco. Assim que assumimos a SSP em 2010, fizemos uma parceria com a PF e conseguimos reduzir em 90% os assaltos a bancos no Maranhão, fato o qual me orgulho muito de ter participado efetivamente. Outro projeto que me deixou bastante feliz foi a criação da Unidade de Segurança Comunitária (USC), cito, por exemplo, a USC da Vila Luizão, pois hoje a comunidade vive com mais tranquilidade. Sem falar no sistema de vídeo monitoramento, pois é um dos mais modernos do Brasil e deixei ele pronto para ser expandido.

– Nestas eleições, você foi eleito com mais de 50 mil votos para deputado federal, e sua principal proposta apresentada na campanha foi a questão da maioridade penal, reduzindo-a de 18 para 16 anos. De que forma pretende começar a lutar por isso na Câmara Federal?

Sempre defendi essa ideia, pois acho inconcebível um País que delega a um jovem de 16 anos, o direito de escolher seu representante e esse mesmo jovem quando mata e rouba, não pode ser responsabilizado, pois a lei diz que ele não tem consciência do fato cometido. Um verdadeiro absurdo. A sociedade brasileira não aceita mais isso. A impunidade está gerando esse aumento da violência entre os jovens. Diante disso, já me reuni em Brasília com mais de 25 deputados federais eleitos também da área de segurança, para discutir sobre esse assunto.

– Dizem que o Ricardo Murad foi um dos responsáveis pela sua vitória nas urnas. Mas em Coroatá, reduto dele e da esposa, você obteve 86 votos apenas. Como explicar isso?

Não tive apoio efetivo do Ricardo Murad, basta comparar todas as regiões que o Ricardo tem voto, onde a filha e o genro foram votados, e eu não tive votações expressivas nesses lugares. Minha eleição se deve única e exclusivamente a um grupo que comprou a ideia que era preciso colocar alguém ligado a área de segurança pública no congresso nacional. Ricardo é meu amigo, mas minha eleição não se deve a ele.

– A partir de janeiro de 2015, o seu grupo político será oposição ao governador eleito, Flávio Dino. Como você pretende se relacionar com o novo governo e o que você espera dele?

Torço muito para que o Governo dê certo, serei um deputado de oposição sim, mas de maneira responsável e vou fazer o que estiver ao meu alcance para ver o Maranhão crescer e melhorar. E asseguro que todos os projetos de interesse do povo do Maranhão, o governo poderá contar com meu apoio.

 

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