Desembargador do TJMA pode perder cargo por irregularidades

CNJ abre caminho para perda do cargo de desembargador Guerreiro Júnior por irregularidades no Fórum de ImperatrizO Plenário Virtual do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, aplicar ao desembargador Antônio Pacheco Guerreiro Júnior, do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), a pena de disponibilidade com proposta de perda do cargo em processo administrativo disciplinar relacionado a irregularidades na construção do Fórum de Imperatriz.

A decisão foi tomada na última sexta-feira (18), durante a 13ª Sessão Virtual de 2026 do CNJ. O processo nº 0007503-96.2023.2.00.0000 teve como relator o conselheiro João Paulo Schoucair. A proclamação do resultado registra que o Conselho julgou procedente o pedido contra Guerreiro Júnior.

No mesmo julgamento, o CNJ julgou improcedente o pedido em relação ao desembargador Antônio Fernando Bayma Araújo, reconhecendo, portanto, que não caberia a aplicação da penalidade contra ele no âmbito desse processo.

Fórum irregular

O processo disciplinar apurou possíveis irregularidades relacionadas à construção do Fórum da Comarca de Imperatriz. Segundo o CNJ, no caso de Guerreiro Júnior foram investigadas questões envolvendo o projeto básico da obra, o processo licitatório, a execução do contrato de prestação de serviços e aspectos orçamentários e financeiros.

A apuração teve origem em providências determinadas após inspeção realizada pela Corregedoria Nacional de Justiça no Tribunal de Justiça do Maranhão entre os dias 8 e 12 de novembro de 2021. O procedimento posteriormente resultou na instauração de processo administrativo disciplinar contra os dois desembargadores. Em outubro de 2023, o Plenário do CNJ já havia decidido, por unanimidade, pela instauração do PAD contra Guerreiro Júnior e Bayma Araújo, com afastamento cautelar dos dois das funções jurisdicionais e administrativas durante a investigação.

A decisão não significa a perda imediata e definitiva do cargo. A regulamentação do CNJ prevê que a disponibilidade com proposta de perda do cargo produz efeitos disciplinares próprios e está vinculada à posterior ação civil de perda do cargo, cujo trânsito em julgado é necessário para a perda definitiva.

O caso representa o desfecho, na esfera administrativa do CNJ, de uma investigação que se arrasta há anos e que teve como foco a atuação de integrantes do TJMA em torno da obra do Fórum de Imperatriz.

Desembargador Antônio Fernando Bayma Araújo (Foto: Reprodução)

O julgamento foi presidido pelo ministro Edson Fachin, presidente do CNJ. A decisão registra a participação dos conselheiros que votaram e a ausência justificada do conselheiro Ulisses Rabaneda.

Deixe uma resposta